29/06/2006 - 12h19m - Tribunais militares de Guantánamo são ilegais, diz a Suprema Corte dos Estados Unidos - Globo Online, Reuters

 

WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira que os tribunais militares da prisão da Baía de Guantánamo violam a Convenção de Genebra. O argumento de que os detidos na guerra ao terror promovida pelos Estados Unidos são "combatentes inimigos" e por isto têm tratamento diferente daquele recebido por criminosos de guerra não convenceu a corte da legalidade das detenções realizadas sem acusação formal, sem acesso a advogados por parte dos detidos e sem prazos de processo legal.

A corte entendeu que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, excedeu seus poderes em tempos de guerra ao criar tribunais militares para os detidos em Guantánamo. A decisão está centrada num caso específico: o de que o tribunal militar de Guantánamo não tem poder para julgar o prisioneiro Salim Ahmed Hamdan, porque viola as Convenções de Genebra. "Concluímos que a comissão militar reunida para julgar (Salim Ahmed) Hamdan não tem poder para proceder porque sua estrutura e procedimentos violam o acordo internacional referente a prisioneiros de guerra, bem como leis militares dos EUA", escreveu o juiz John Paul Stevens para a maioria da corte, na decisão de 5 votos a 3. Essa parte da decisão foi um golpe pungente para o governo, em um caso levado adiante por Hamdan, que foi motorista de Osama bin Laden no Afeganistão. Na Casa Branca, o porta-voz Tony Snow disse: "Não comentaremos até que tenhamos lido a decisão". A decisão representa uma importante derrota para a política antiterrorista do governo americano. O governo americano terá de levar os detidos a um processo militar comum ou a um julgamento civil federal.

A opinião pública mundial se levantou contra os procedimentos de Guantánamo, de governo aliados, como o da Grã-Bretanha, a ONGs como a Anistia Internacional , a órgãos como as Nações Unidas. O próprio presidente George W. Bush se viu obrigado a concordar com a deficiência do sistema de acusação e detenção representado por Guantánamo. Em mais de uma ocasião ele disse publicamente que gostaria de ver o centro de detenção, que fica em Cuba, fechado. O auge da grita internacional se deu quando três detentos - um iemenita e dois sauditas - conseguiram se matar, apesar da vigilância cerrada. E mais de uma vez diversos prisioneiros entraram em greve de fome , como protesto contra as condições de detenção.

Guantánamo começou a receber detidos do Afeganistão em 2002, pouco depois da invasão do país, por parte dos americanos, como resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001. A invasão levou à derrubada do regime Talibã. Depois da invasão do Iraque, em 2003, prisioneiros detidos neste país também foram levados para lá. Neste ano de 2006, por decisão judicial de um tribunal federal comum, o governo americano teve de  divulgar nome, nacionalidade e local de detenção dos prisioneiros.

http://oglobo.globo.com/online/mundo/mat/2006/06/29/284473152.asp

Guantánamo: Para Supremo dos EUA, tribunais são ilegais

 
Presos em Guantánamo
Muitos detentos em Guantánamo estão presos há anos.
A Suprema corte norte-americana declarou que o governo Bush não tem autoridade para julgar suspeitos de terrorismo em tribunais militares de Guantánamo.

A decisão, que é considerada um marco na justiça do país, veio no caso onde um ex-motorista de Osama Bin Laden, Salim Ahmed Hamdan, pedia a anulação de seu julgamento.

O desfecho do apelo de Hamdan não significa que o centro de detenção vá ser fechado imediatamente, nem que os prisioneiros tenham de ser libertados.

Mesmo assim, a sentença, que diz que os procedimentos oficiais violaram a Convenção de Genebra, foi um duro golpe para o governo.

Hamdan é um dos 10 detentos de Guantánamo que está enfrentando um tribunal militar.

Ele quer passar por um julgamento civil ou uma corte marcial, onde a acusação teria de enfrentar mais obstáculos.

O correspondente da BBC em Washington, Nick Miles, disse que as implicações da decisão da corte são profundas, uma vez que todos os tribunais militares e outros 60 agendados não serão concluídos.

O porta-voz da Casa Branca declarou que o presidente Bush só vai comentar a sentença “depois que a ler”.

Salim Hamdan tinha ganhado a sua ação em Washington, onde um juiz já tinha dado um parecer favorável a ele, que alegava ser um prisioneiro de guerra.

Contudo, o governo norte-americano negava a condição de prisioneiro de guerra e consequentemente, negava que estivesse infringindo a Convenção de Genebra.

Para o governo Bush, Hamdan era um “combatente inimigo”.

O caso foi para a Suprema Corte porque o governo tinha saído vencedor da Corte de Apelo.

11:05 23/06 - CDH: Arbour vê panorama sombrio de direitos humanos no mundo


A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Louise Arbour, descreveu hoje um panorama sombrio dos direitos fundamentais em várias partes do mundo e se disse preocupada com a suposta existência de lugares secretos de detenção para suspeitos de terrorismo.


Na apresentação de seu relatório anual ao novo Conselho de Direitos Humanos (CDH), Arbour falou da preocupação de seu organismo em relação às informações relativas ao funcionamento desses centros, "onde suspeitos estão detidos sem comunicação com o mundo exterior".

"Essas práticas têm um efeito corrosivo sobre o estado de direito e sobre os direitos humanos e criam um ambiente propício para outras práticas abusivas", afirmou.

A alta funcionária pediu o respeito total à proibição da tortura, inclusive em situações relacionadas com a luta antiterrorista. "A tortura deslegitima a ação de um Estado e faz com que sua autoridade moral não valha nada", afirmou.

Arbour criticou os países que negam o acesso de representantes de seu organismo e de relatores especiais - ou que se negam a cooperar com eles -, uma atitude "que impede que as Nações Unidas realizem um diagnóstico próprio e independente sobre a situação dos direitos humanos".

"Sem uma avaliação apropriada e sem cooperação, a capacidade da comunidade internacional de prestar assistência efetiva é restringida dramaticamente e as violações aos direitos humanos permanecem sem serem resolvidas", denunciou a jurista canadense, designada alta comissária em fevereiro de 2004.

Arbour citou como exemplos os graves abusos que ocorrem no Iraque, onde, segundo ela, civis continuam sendo as vítimas principais da violência que reina no país, enquanto o assassinato de juízes e advogados reduz a capacidade dos tribunais de cumprir sua missão.

Em relação à região sudanesa de Darfur, Arbour argumentou que, atualmente, "a violência alcançou, em termos de intensidade e de freqüência, um nível grave que não se via desde o final de 2003 e 2004".

"Peço ao Governo do Sudão que busque a ajuda das forças de paz da ONU em seu esforço para estabelecer uma paz duradoura", disse Arbour na plenária do CDH, que contou com a presença de delegações de mais de cem países por se tratar da primeira sessão da história do novo órgão da ONU.

Sobre a Somália, a jurista acredita que o país "não pode continuar sendo a crise esquecida da África, pois a violência, os deslocamentos e o caos estão expondo civis a um sofrimento em massa".

Arbour criticou também a atitude das autoridades do Uzbequistão, que negaram acesso ao país para seu pessoal, após "o assassinato de centenas de pessoas" que participavam de uma manifestação política reprimida pelo Exército em maio de 2005.

A comissária questionou a falta de acesso à Coréia do Norte, país em que "refugiados que escaparam descrevem condições horrendas nos campos de trabalho (forçado), uma grave escassez de alimentos e a ausência dos direitos mais fundamentais, como o de expressão, religião e reunião".

Sobre os territórios palestinos ocupados, Arbour acredita que o melhor caminho é a busca de uma "solução política", a única maneira de se "pôr fim ao sofrimento e à perda de vidas".

Outro país mencionado foi a Birmânia, onde "a piora da situação humanitária gera crescente preocupação internacional", particularmente porque a intensificação do conflito interno no leste do país levou a "desalojamentos forçados e deslocamentos maciços de milhares de civis".

25 de junho de 2006 - 16:47

25 de junho de 2006 - 16:47

Israel autoriza uso maciço de força em Gaza


Gabinete de segurança autorizou o primeiro-ministro e o ministro da Defesa israelenses a lançarem operação militar na região quando acharem oportuno

EFE

JERUSALÉM - Os integrantes do gabinete reduzido para assuntos de segurança do governo israelense autorizaram hoje o primeiro-ministro, Ehud Olmert, e o ministro da Defesa, Amir Peretz, a lançarem uma operação militar maciça em Gaza quando acharem oportuno.

Fontes governamentais disseram à rádio pública que os integrantes do gabinete aprovaram todas as propostas do Exército, e que as duas máximas autoridades do Executivo têm em seu poder a decisão de quando implementá-las.

A emissora não revelou o tipo de operações que foi apresentado pelos altos comandantes, mas assegurou que há a proposta de uma "operação maciça" na Faixa de Gaza.

O gabinete para assuntos de segurança se reuniu hoje em Tel Aviv, onde fica a sede do Ministério da Defesa, para escutar dos altos comandantes os detalhes do ataque palestino que esta manhã custou a vida de dois soldados na base militar de Telem, ao sul da Faixa de Gaza. Um terceiro militar israelense foi seqüestrado pelas milícias palestinas, que perderam dois de seus homens na incursão.

Analistas militares consideram que qualquer operação deverá esperar a libertação do soldado, já que de outra forma poria em perigo sua vida. Israel tenta obter a libertação do soldado mediante pressões diplomáticas sobre o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que condenou o ataque e responsabilizou o Hamas por qualquer escalada que possa ocorrer na região.


Gabinete de segurança autorizou o primeiro-ministro e o ministro da Defesa israelenses a lançarem operação militar na região quando acharem oportuno

EFE

JERUSALÉM - Os integrantes do gabinete reduzido para assuntos de segurança do governo israelense autorizaram hoje o primeiro-ministro, Ehud Olmert, e o ministro da Defesa, Amir Peretz, a lançarem uma operação militar maciça em Gaza quando acharem oportuno.

Fontes governamentais disseram à rádio pública que os integrantes do gabinete aprovaram todas as propostas do Exército, e que as duas máximas autoridades do Executivo têm em seu poder a decisão de quando implementá-las.

A emissora não revelou o tipo de operações que foi apresentado pelos altos comandantes, mas assegurou que há a proposta de uma "operação maciça" na Faixa de Gaza.

O gabinete para assuntos de segurança se reuniu hoje em Tel Aviv, onde fica a sede do Ministério da Defesa, para escutar dos altos comandantes os detalhes do ataque palestino que esta manhã custou a vida de dois soldados na base militar de Telem, ao sul da Faixa de Gaza. Um terceiro militar israelense foi seqüestrado pelas milícias palestinas, que perderam dois de seus homens na incursão.

Analistas militares consideram que qualquer operação deverá esperar a libertação do soldado, já que de outra forma poria em perigo sua vida. Israel tenta obter a libertação do soldado mediante pressões diplomáticas sobre o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que condenou o ataque e responsabilizou o Hamas por qualquer escalada que possa ocorrer na região.

25/06/2006 - 09h28 - Sudão suspende permissões da ONU em Darfur, menos de Unicef e FAO

Cartum, 25 jun (EFE).- O Governo do Sudão decidiu suspender as permissões de trabalho das agências da ONU nas três províncias de Darfur, segundo um comunicado do Ministério de Exteriores divulgado hoje.

Da medida só se livraram o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

Segundo o comunicado do ministério, a decisão foi adotada depois de a ONU permitir que o líder rebelde Suleiman Adam Jamous subisse a bordo de um de seus helicópteros para viajar de El Fasher à província de Kurdifan, no sul da mesma região.

"Esta suspensão é válida para toda a região de Darfur e seguirá de pé até que recebamos uma explicação", assinala o comunicado do ministério.

Tratou-se de "uma flagrante violação da soberania do Sudão, além de uma violação dos acordos que regem as atividades da ONU no Sudão", acrescenta a nota.

Suleiman Adam Jamous é um dos líderes rebeldes que se negou a assinar o recente acordo de paz com o Governo.

19/06/2006 - 20h42 - União Africana avança nos planos para colocar tropas na Somália

Adis-Abeba, 19 jun (EFE).- A União Africana (UA) e diplomatas de países ocidentais se reuniram hoje em Adis-Abeba para discutir o conflito na Somália, e decidiram enviar uma missão de avaliação ao país vizinho se antecipando à provável mobilização de uma força de paz internacional.

A idéia de uma força estrangeira de interposição foi rejeitada taxativamente pela União de Tribunais Islâmicos, grupo fundamentalista muçulmano que atualmente controla Mogadíscio, a capital da Somália, e toda a região sul do país, inclusive a região fronteiriça com a vizinha Etiópia.

Durante o fim de semana passado, a União de Tribunais Islâmicos acusou a Etiópia de ter enviado 300 soldados para território somali, o que foi desmentido pelas autoridades de Adis-Abeba, que admitiram, no entanto, que suas tropas estão na zona da fronteira comum, caso as milícias somalis decidam atravessá-la.

O envio de uma missão de estudo foi aprovado numa reunião na capital etíope com a UA, a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD, em inglês) - grupo regional de sete países que lidera a iniciativa internacional de paz na Somália - e delegações da União Européia, Reino Unido, Suécia e Itália.

A reunião em Adis-Abeba aconteceu após o encontro internacional convocado na semana passada pelos Estados Unidos, em Nova York, para discutir o conflito somali depois que as milícias islâmicas derrotaram as forças dos líderes tradicionais somalis, conhecidos como "senhores da guerra", que teriam o apoio de Washington.

Desde o início em fevereiro da luta pelo controle da Somália - que vive em meio ao caos desde que o ditador Mohammed Siad Barre foi deposto, em 1991 -, mais de 360 pessoas morreram, na maioria mulheres e crianças, e outras 1.500 ficaram feridas.

O diálogo mantido entre o grupo islâmico e o Governo somali de transição, que funciona em Baidoa, 90 quilômetros ao norte da capital, foi interrompido depois de o Parlamento - situado na mesma cidade - ter votado a favor da admissão de tropas estrangeiras para zelar pela paz no país.

A Administração interina somali afirmou várias vezes que é favorável à chegada de uma missão internacional de paz, por não poder operar de forma eficaz sem Forças Armadas que garantam a segurança de seus membros, caso o Governo seja transferido para Mogadíscio.

Em janeiro passado, a aliança criada pelos "senhores da guerra" com o suposto apoio dos EUA declarou guerra aos tribunais islâmicos, após acusá-los de acolher e proteger na Somália membros da organização terrorista Al Qaeda, acusadas por Washington pelos atentados cometidos em 1998 com carros-bomba contra embaixadas americanas em Nairóbi e em Dar-es-Salam.

As milícias fundamentalistas impuseram a "sharia" (lei islâmica) nos territórios que controlam, e uma de suas primeiras medidas foi proibir a população de ver as partidas da Copa do Mundo pela televisão, por considerarem uma "influência ocidental perniciosa".

ninemillion.org

$50 can provide a refurbished computer to a refugee school helping to power a child's education and learning.


$100 can help children affected by war to overcome their trauma through sport-based peace education programs.
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Whatever you give $25 or $1000, all money raised goes straight to the ninemillion.org trust fund - improving the lives of children in refugee camps around the world through education and sports programs.

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illion

Os desafios do Conselho dos Direitos Humanos - Swissinfo 15 de junho de 2005 - 16:16
 
 
Micheline Calmy-Rey, chanceler engajada na defesa dos direitos humanos.No primeiro ano, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU deverá enfrentar três desafios principais, afirma a chanceler suíça Micheline Calmy-Rey.
 
Em entrevista a swissinfo, ela diz que o CDH tem de adotar procedimentos eficazes e desenvolver uma cultura do diálogo, sem se esquecer do destino das vítimas e as situações de crise.
No primeiro ano, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU deverá enfrentar três desafios principais, afirma a chanceler suíça Micheline Calmy-Rey.
 
Em entrevista a swissinfo, ela diz que o CDH tem de adotar procedimentos eficazes e desenvolver uma cultura do diálogo, sem se esquecer do destino das vítimas e as situações de crise.
No primeiro ano, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU deverá enfrentar três desafios principais, afirma a chanceler suíça Micheline Calmy-Rey.
 
Em entrevista a swissinfo, ela diz que o CDH tem de adotar procedimentos eficazes e desenvolver uma cultura do diálogo, sem se esquecer do destino das vítimas e as situações de crise.
Antes da primeira sessão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Micheline dá suas impressões e esperanças em que esse novo órgão da ONU permita um progresso real na defesa dos direitos humanos.
 
swissinfo : Quais são as maiores dificuldades que o Conselho dos Direitos Humanos deverã enfrentar no início?
 
M. C-R.: Esse primeiro ano será transitório. O Conselho deverá montar um plano de trabalho, definir as regras processuais e elaborar o mecanismo de exame universal da situação dos direitos humanos.

Seu grande desafio é encontrar um bom equilíbrio entre entre as regras de funcionamento e o seu real mandado, porque esse primeiro ano não deverá ser perdido para a proteção dos direitos humanos e as situações de urgência que podem ocorrer.
 
swissinfo: São muitos os países refratários ao reforço do sistema de proteção. Eles não colocam em risco o Conselho?
 
M. C-R: A representação por grupos regionais obedece às regras de funcionamento da Assembléia Geral das Nações Unidas. Ninguém pode mudas essas regras.

Dito isto, é primordial sair da lógica de confronto político que havia na Comissão dos Direitos Humanos. No Conselho, é preciso dar uma nova chance ao diálogo. Não queremos um Conselho no qual um grupo de países se declare acima de qulquer suspeita e começar a dar lição aos outros. Uma situação dessas não daria qualquer resultado.

A Suíça milita por uma política de inclusão e por uma filosofia de parceria, ou seja, o contrário da ruptura, da exclusão e da estigmatização que havia na antiga Comissão dos Direitos Humanos.

Par implementá-la, será preciso que os representantes dos Estados - embaixadores e outros - integrem nos trabalhos essa mudança de filosofia.

Lembro ainda que os países-membros do Conselho tiveram de assumir um compromisso em favor dos direitos humanos e deverão cumpri-lo.
 
swissinfo : A sra. esteve recentemente na Argélia, país que freqüentemente está à frente da resistências às inspeções. A sr. abordou esse assunto?
 
M. C-R: Falamos do funcionamento do Conselho e dos compromissos mútuos em apoiá-lo. E, como disse ao presidente Bouteflika e ao ministro argelino das Relações Exteriores, eu espero que poderemos progredir juntos e cooperar no respeito aos direitos humanos.
 
swissinfo : O diálogo sobre direitos humanos com um país autoritário é realmente possível ?
 
M. C-R: No contexto multilateral, é preciso encontrar um bom equilíbrio entre as incitações e o diálogo. O exame periódico e universal da situação deverá tornar-se um bom instrumento. A disposta está pronta a se engajar para isso ocorra realmente.

No plano bilateral, a Suíça dialoga sobre direitos humanos com o Vietnã, a China e o Irã. Com eles, abordamos, por exemplo, questões como a pena de morte e as condições de detenção.

Os resultados não são sempre os que gostaríamos, mas constatamos progressos e a Suíça sempre estimou que vale a pena mantes esses pontos nas discussões.

Além disso, parece claro atualmente que o respeito dos direitos humanos - direitos sociais como cívicos e políticos - é essencial para o desenvolvimento. Creio que a consciência disso é cada vez maior.

A prova é a valorização dessa problemática no sistema das Nações Unidas. O Conselho dos Direitos Humanos depende diretamente da Assembléia da ONU, escolha decidida pelo conjunto da comunidade internacional.
 
swissinfo : O que o Conselho trará para Genebra e para a Suíça?
 
M. C-R: Hoje Genebra pode ser considerada como capital dos direitos humanos e do direito internacional humanitário. Estão em Genebra o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados e Cruz Vermelha Internacional.

Existe, portanto, um importante potencial de sinergia e desenvolvimento, dinâmica agora reforçada pela criação do Conselho dos Direitos Humanos.

No aspecto material, isso também significa criação de 400 empregos suplementares. Além disso, a Suíça, como país-hóspede, comprometeu-se a colocar à disposição locais e infraestrutura para as delegações que não têm representação diplomática em Genebra. São por volta de 15 delegações.

O Conselho também vai atrair um maior número de Ongs porque o Conselho se reunirá várias vezes por ano.

Entrevista swissinfo: Frédéric Burnand, Genebra

Queda de braco em andamento..

15 de Junho de 2006 22:35-  
Kofi Annan alerta contra suspensão de pagamentos à ONU
 
Por Irwin Arieff

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, disse na quinta-feira que uma crise orçamentária temida para ocorrer no final deste mês por causa da demora nas reformas da entidade será evitada, e implicitamente alertou os Estados Unidos a não deixarem o organismo mundial à míngua.

"A reforma irá adiante, e o limite orçamentário será suspenso. Pelo que posso ver, não haverá crise neste mês", disse Annan em entrevista coletiva.

Países ricos --EUA à frente-- impuseram em dezembro um limite ao orçamento da ONU, na tentativa de pressionar países em desenvolvimento a finalmente aprovarem a reforma administrativa da entidade até 30 de junho.

Embora sejam poucos, os países ricos respondem por mais de 80 por cento do orçamento da ONU.

Mas a decisão teve um efeito contrário, pois, em maio, os países em desenvolvimento se rebelaram e derrubaram as partes mais importantes da reforma. Em seguida, ameaçaram simplesmente rejeitar o limite orçamentário.

Representantes dos EUA e do Japão, mesmo sem ameaçar explicitamente suspender os pagamentos deste ano, reclamam que podem sofrer pressão doméstica para fazê-lo.

Algumas autoridades norte-americanas alertaram que alguns parlamentares podem se irritar e cortar os pagamentos de Washington, em reação ao que consideram ser um crescente sentimento antiamericano entre líderes da ONU e países em desenvolvimento.

As tensões entre EUA e ONU voltaram à tona na semana passada, quando o subsecretário-geral Mark Malloch Brown acusou o governo Bush de manter "em segredo" a dependência dos EUA em relação à ONU, porque atuar com a entidade "não é considerada boa política internamente".

INSULTO

O embaixador dos EUA, John Bolton, considerou o discurso um insulto ao povo norte-americano e pressionou Annan a repudiar os comentários de Malloch Brown. Do contrário, alertou o diplomata, "a vítima será os Estados Unidos."

A secretária de Estado Condoleezza Rice posteriormente telefonou para Annan dizendo concordar com as críticas de Bolton.

Annan, por sua vez, apoiou o seu sub, dizendo-se de acordo com o âmago do argumento --que os EUA e a ONU necessitam um do outro.

Bolton também alertou que o discurso prejudicará as reformas. Mas, na quinta-feira, afirmou que EUA, Japão e União Européia asseguraram na véspera aos países em desenvolvimento que o limite orçamentário será suspenso caso o pacote de reformas decole.

Annan disse a jornalistas que não há sinais de que Washington esteja recuando as reformas ou de que os comentários de Malloch Brown tenham tornado sua negociação "muito mais difícil".

A BLESSING IN DISGUISE (Uma benção disfarçada)

Cronica de José Inacio Werneck

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Connecticut (EUA) - No momento mesmo em que a ONU de novo se encontra sob fogo cerrado do quase patologicamente reacionário embaixador americano John Bolton, a instituição mostra sua importância para o entendimento dos problemas mundiais com um estudo sobre a migração entre países.

As novas críticas de John Bolton têm a ver com um pronunciamento correto de Mark Malloch Brown, um inglês que é assessor do Secretário Geral da ONU, Kofi Annan. Malloch Brown disse o óbvio: os Estados Unidos precisam da ONU e constantemente usam a ONU em seu próprio interesse, mas ao mesmo tempo dão tácito apoio a vozes conservadoras que apontam a instituição como um Imimigo Público Número Um e procuram esvaziá-la de todas as maneiras.

Para tais pessoas e organismos, a ONU é inconveniente quando aponta, como fez em um estudo recente, a hipocrisia do Primeiro Mundo em assuntos como o de migrações. Entre 1990 e 2005 o número de migrantes no mundo passou de 155 milhões para 191 milhões. Tais trabalhadores enviaram a seus países um total de US$ 232 bilhões, dos quais US 167 bilhões foram para nações pobres.

É claro que tais remessas se constituem hoje em uma receita indispensável para os países do Terceiro Mundo. Nos Estados Unidos, organizacões como a Fox News ou comentaristas como Lou Dobbs e Rush Limbaugh querem fazer crer que mexicanos e outros imigrantes negros ou moreninhos (eles jamais se insurgem contra os russos ou irlandeses) tiram empregos dos americanos.

A verdade é bem outra. Os países europeus e os Estados Unidos precisam de tais imigrantes, mesmo os ilegais e despreparados. Como diz Hania Zlotnik, diretora da Divisão de População da ONU, as sociedades ricas precisam se perguntar como elas se haveriam sem os imigrantes. E a verdade é que se haveriam muito mal.

O fulcro da questão é demográfico. Hoje nos países ricos há 142 jovens que entram no mercado de trabalho para cada cem idosos que se aposentam, mas os números estão em um rapidíssimo processo de mudança. Em dez anos haverá apenas 87 jovens entrando no mercado de trabalho para cada cem idosos que se aposentam. O motivo para tal inversão é que a taxa de natalidade nos países ricos vem caindo muito depressa na hora mesma em que a geração do baby boom (um grande aumento de nascimentos nos anos seguintes à Segunda Guerra) começa a se aposentar. O primeiro ano do baby boom foi 1946 e o último 1964. O problema só fará se agravar nos próximos 18 anos.

Nos países subdesenvolvidos, ocorre o oposto. Há 342 jovens procurando emprego no mercado de trabalho para cada cem pessoas que saem dele por morte ou aposentadoria. Os Estados Unidos ainda têm que se dar por muito satisfeitos por terem tantos imigrantes. Sem eles, a população do país já teria entrado em declínio, como acontece na Itália, Japão, França, Alemanha, Rússia e nações escandinavas.

Vou dormir porque a esta altura estou até concordando com o Kofi.....

QUOTE OF THE DAY


You cannot rely on lawless men to create law and order for the general public. They will work in their own interest, and we've seen it in the past.

Secretary-General Kofi Annan, New York, 15 June 2006

U.N. DEPUTY SECRETARY-GENERAL MARK MALLOCH BROWN

Mark Malloch Brown, UN Deputy Secretary-General in MaximsNews NetworkSe eu me deixasse levar por apostas para a sucessao do Kofi Annan.

Claro que um certo pais discordará de mim...

Mark Malloch Brown has served as Deputy Secretary-General of the United Nations since April, 2006. Before his current appointment, he was the Secretary-General’s Chef de Cabinet since January 2005. In that position, he worked closely with the Secretary-General and the Deputy-Secretary General on all aspects of UN work, including helping to set out an ambitious reform agenda for the United Nations, much of which was endorsed by world leaders at the World Summit in New York last September.

Prior to becoming Chef de Cabinet, Mr. Malloch Brown served as Administrator of the United Nations Development Programme (UNDP), the UN's global development network, from July 1999 to August 2005. During that time, he was also the Chair of the United Nations Development Group, a committee consisting of the heads of all UN funds, programmes and departments working on development issues.

During his tenure at the UNDP, Mr. Malloch Brown oversaw a comprehensive reform effort that was widely recognized as making the UNDP more focused, efficient and effective across the 166 countries where it works and doubled its annual resources to over $4 billion. His efforts included a major push to expand UN support to developing countries in areas such as democratic governance, a new advocacy dimension as reflected in pioneering publications, including the Arab Human Development Reports, and strengthened UNDP operational leadership in natural disasters and post-conflict situations.

At the request of Secretary-General Annan, Mr. Malloch Brown also led the UN system’s efforts to help support the achievement of the Millennium Development Goals -- eight, time-bound development targets with the overarching goal of halving extreme poverty by 2015 -- which were approved by world leaders at the UN Millennium Summit of September 2000.

Prior to his appointment with the UNDP, Mark Malloch Brown served at the World Bank as Vice-President for External Affairs, and Vice-President for United Nations Affairs from 1996 to 1999. He joined the World Bank as Director of External Affairs in 1994. He is credited with having helped the Bank enhance its outreach and expand its partnership with the United Nations and non-governmental organizations. In 1997, he chaired the United Nations Secretary-General's task force on the reform of United Nations communications.

Before joining the World Bank, Mr. Malloch Brown was the lead international partner from 1986 to 1994 in a strategic communications management firm, the Sawyer-Miller Group, where he worked with corporations and governments. He advised Corazon Aquino of the Philippines when she ran against Ferdinand Marcos, as well as other presidential and political candidates, particularly in Latin America.

Mr. Malloch Brown founded The Economist Development Report, a monthly report on the aid community and the political economy for development. He served as the Report's editor from 1983 to 1986. Previously, from 1977 to 1979, he had been the political correspondent of The Economist.

From 1979 to 1983, he worked for the Office of the United Nations High Commissioner for Refugees (UNHCR). From 1979 to 1981, he was stationed in Thailand, where he was in charge of field operations for Cambodian refugees. He was appointed Deputy Chief of UNHCR's Emergency Unit in Geneva, undertaking extensive missions in the Horn of Africa and Central America. In 1981, the UNHCR and its staff were awarded the Nobel Peace Prize. Active in human rights and refugee issues, he formerly served as Vice-Chairman of the Board of Refugees International in Washington, D.C., and has served on the advisory boards of a number of non-profit organizations. Mr. Malloch Brown was included in Time Magazine’s world’s 100 most influential people in 2005.

A British citizen, Mr. Malloch Brown received a First Class Honour’s Degree in History from Magdalene College, Cambridge University, and a Master's Degree in Political Science from the University of Michigan, and is the recipient of a number of honorary degrees and awards. Aged 52, he is married with four children.

U.N. DEPUTY SECRETARY-GENERAL MARK MALLOCH BROWN - parte V

New Global Challenges

But a stake in what system?

The US -- like every nation, strong and weak alike -- is today beset by problems that defy national, inside-the-border solutions:  climate change, terrorism, nuclear proliferation, migration, the management of the global economy, the internationalization of drugs and crime, the spread of diseases such as HIV and avian flu.  Today’s new national security challenges basically thumb their noses at old notions of national sovereignty.  Security has gone global, and no country can afford to neglect the global institutions needed to manage it.

Kofi Annan has proposed a restructuring of the UN to respond to these new challenges with three legs:  development, security and human rights supported, like any good chair, by a fourth leg, reformed management.  That is the UN we want to place our bet on.  But for it to work, we need the US to support this agenda -- and support it not just in a whisper but in a coast to coast shout that pushes back the critics domestically and wins over the sceptics internationally.  America’s leaders must again say the UN matters.

When you talk better national education scores, you don’t start with “I support the Department of Education”.  Similarly for the UN it starts with politicians who will assert the US is going to engage with the world to tackle climate change, poverty, immigration and terrorism.  Stand up for that agenda consistently and allow the UN to ride on its coat-tails as a vital means of getting it done.  It also means a sustained inside-the-tent diplomacy at the UN.  No more “take it or leave it”, red-line demands thrown in without debate and engagement.

Let me close with a few words on Darfur to make my point.

A few weeks ago, my kids were on the Mall in Washington, demanding President Bush to do more to end the genocide in Darfur and President Bush wants to do more.  I’d bet some of your kids were there as well.  Perhaps you were, too.  And yet what can the US do alone in the heart of Africa, in a region the size of France?  A place where the Government in Khartoum is convinced the US wants to extend the hegemony it is thought to have asserted in Iraq and Afghanistan.

In essence, the US is stymied before it even passes “Go”.  It needs the UN as a multilateral means to address Sudan’s concerns.  It needs the UN to secure a wide multicultural array of troop and humanitarian partners.  It needs the UN to provide the international legitimacy that Iraq has again proved is an indispensable component to success on the ground.  Yet, the UN needs its first parent, the US, every bit as much if it is to deploy credibly in one of the world’s nastiest neighbourhoods.

Back in Franklin and Eleanor Roosevelt’s day, building a strong, effective UN that could play this kind of role was a bipartisan enterprise, with the likes of Arthur Vandenberg and John Foster Dulles joining Democrats to support the new body.  Who are their successors in American politics?  Who will campaign in 2008 for a new multilateral national security?

U.N. DEPUTY SECRETARY-GENERAL MARK MALLOCH BROWN - parte IV

What lies behind this?

It is not because most developing countries don’t want reform.  To be sure, a few spoilers do seem to be opposed to reform for its own sake, and there is no question that some countries are seeking to manipulate the process for their own ends with very damaging consequences.  But in practice, the vast majority is fully supportive of the principle of a better run, more effective UN; indeed they know they would be the primary beneficiaries, through more peace, and more development.

So why has it not so far been possible to isolate the radicals and build a strong alliance of reform-minded nations to push through this agenda?

I would argue that the answer lies in questions about motives and power.

Motives, in that, very unfortunately, there is currently a perception among many otherwise quite moderate countries that anything the US supports must have a secret agenda aimed at either subordinating multilateral processes to Washington’s ends or weakening the institutions, and therefore, put crudely, should be opposed without any real discussion of whether they make sense or not.

And power, that in two different ways revolves around perceptions of the role and representativeness of the Security Council.

First, in that there has been a real, understandable hostility by the wider membership to the perception that the Security Council, in particular the five permanent members, is seeking a role in areas not formally within its remit, such as management issues or human rights.

Second, an equally understandable conviction that those five, veto-wielding permanent members who happen to be the victors in a war fought 60 years ago, cannot be seen as representative of today’s world -- even when looking through the lens of financial contributions.  Indeed, the so-called G-4 of Security Council aspirants -- Japan, India, Brazil and Germany -- contribute twice as much as the P-4, the four permanent members excluding the U.S.

Prime Minister Tony Blair acknowledged exactly this point on his trip to Washington last month, and it is something which does need to be addressed.  More broadly, the very reasonable concerns of the full UN membership that the fundamental multilateral principle that each Member State’s vote counts equally in the wider work of the UN needs to be acknowledged and accommodated within a broader framework of reform.  If the multilateral system is to work effectively, all States need to feel they have a real stake.

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